O Interesse Nacional, a critica da integração europeia e o imperativo de um novo sistema internacional de cooperação compulsória

国家利益、对欧洲一体化的批判以及建立强制性合作新国际体系的迫切需要

Prof. Dr. Viriato Soromenho-Marques, Professor Catedrático na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa- Filosofia Política, Ética e Filosofia Ambiental, Conselheiro de Estado (Presidente Cavaco Silva), conselheiro do Presidente da União Europeia José Manuel Durão Barroso, Membro do High-Level Group, que desenhou as Políticas de Energia e Alterações Climáticas. “New Narrative for Europe” ( Comunidade política assente na sustentabilidade e na ecologia/ética planetária)

维里亚托·索罗门霍–马克斯教授 (Prof. Dr. Viriato Soromenho-Marques)
里斯本大学文学院正教授——政治哲学、伦理学与环境哲学;国务顾问(阿尼巴尔·卡瓦科·席尔瓦总统任期内);欧盟委员会主席若泽·曼努埃尔·杜朗·巴罗佐的顾问;高层小组成员(曾参与设计欧盟能源与气候变化政策)。“欧洲新叙事” (一个基于可持续性、生态以及地球伦理的政治共同体)。

RESUMO (LAYOUT)

A minha intervenção vai abordar de uma forma rápida e muito sintética três aspetos que me parecem fundamentais. O primeiro é justamente definir o que é o interesse nacional nas relações internacionais, ou seja, o que é para Portugal? … O segundo momento será uma visão crítica sobre as últimas décadas, no plano da do interesse nacional. Os últimos anos, as últimas décadas, quer na integração na União Europeia, quer no interior da NATO, a situação evoluiu de uma forma claramente negativa… Um terceiro aspeto será olharmos para o que está a acontecer no mundo. Hoje, quais são os grandes desafios que colocam em causa o nosso interesse nacional? … E como é que podemos antecipar o futuro? …Vou tentar mostrar que  a transição do atual Sistema Internacional, pode desencadear um grande conflito. Um  Sistema que está baseado numa hegemonia já não merecida, digamos assim, do Ocidente, dos Estados Unidos, com o apoio crítico subserviente da União Europeia. Este modelo não tem condições  e a possibilidade de uma guerra de destruição maciça com armas nucleares está muito longe de estar superada.

Enfim, qual é a conclusão que eu vos proponho? A minha conclusão é que se queremos evitar apodrecer, digamos assim, numa situação que nos pode levar à guerra nuclear, Portugal deve ter uma política capaz de sair das amarras em que nos encontramos agora, Na União Europeia, sair das amarras não significa romper, significa pensar com autonomia, discutir, não aceitar ordens, não viver no passado e precisamos de adotar um conceito que eu venho defendendo há mais de 20 anos, o conceito de política de cooperação compulsória, ou seja, perante os problemas do mundo, nós temos de cooperar com todos os países que defendam a vida, que defendam a sobrevivência da humanidade. Nós temos de cooperar com os países de que somos amigos e com aqueles países de que não queremos ser inimigos E isso passa evidentemente pelas questões da paz e da guerra… Não queremos a destruição mútua acelerada, mas temos que pensar também nas questões do ambiente. Nós não podemos promover uma destruição mútua ambiental, como estamos a fazer agora e precisamos de criar uma regulação comum  na cooperação internacional.

…O centro de gravidade da economia e da tecnociência está a mudar. É muito curioso que na Europa e nos Estados Unidos nós não nos apercebamos do significado desse facto. …constatamos claramente uma consolidação da supremacia do produto interno bruto dos BRICS, com 35,43% contra 29,64%. Mas mais importante do que isto é o deslocar do centro de gravidade da inovação científica e tecnológica.

…Na verdade, a mesma liderança medíocre que está a arruinar  a zona euro, talvez acabe por deixar mergulhar a Europa num mar de ferro e fogo. O milagre da queda do regime soviético não terá uma segunda edição russa.

Onde é que nós estamos hoje, no contexto internacional? Estamos, de facto, numa situação de encruzilhada planetária. Podemos identificar as três grandes ameaças que são globais. Temos uma ameaça de guerra (nuclear)que eu chamo, recorrendo a uma metáfora médica, o ataque cardíaco!… a União Europeia, que exibira a   bandeira verde da paz e da ecologia, a trocou pelos estandartes da guerra e neste momento está fundamentalmente preocupada numa corrida aos armamentos e os Estados Unidos têm uma política governamental de destruição da informação científica, dos mecanismos científicos de monitorização da crise ambiental e climática…

Para terminar, três conclusões especificamente para Portugal:

Portugal deve defender o princípio do primado da paz e cooperação compulsória em todos os centros de poder onde se encontra… Portugal deve defender o princípio do primado da paz e cooperação compulsória em todos os centros de poder onde se encontra.  Isto significa que na União Europeia nós temos de ter uma voz própria… Não podemos continuar a fazer como  fez um Primeiro-Ministro no passado, que perante uma política completamente errada de austeridade da troika, disse, temos de ir para além da troika… e na NATO, não podemos aceitar que o nosso território seja usado para operações de guerra agressiva contra o direito internacional.

Segundo aspeto, Portugal deve abrir todas as suas históricas janelas de liberdade, na expressão do Professor Adriano Moreira, querido e saudoso amigo. Ou seja, nós temos de olhar para a nossa história. Nós temos de perceber que há um capital  histórico que Portugal não está a usar. Deixou-nos muitos pontos de contacto, muitas potenciais parcerias económicas e culturais com outros países do mundo…

E finalmente, para que não se caia uma nova guerra mundial, a China  perfila-se como um sujeito decisivo, uma China não-imperial, promotora de uma nova ordem multipolar baseada no combate a riscos existenciais comuns… Eu tenho confiança de que a China, num contexto internacional em que a voz de todos os outros polos interessados na paz se faça ouvir, continuará um caminho que é baseado no respeito mútuo, na cooperação vantajosa e não na criação de oitocentas bases militares espalhadas pelo mundo (pelos EUA) para projetar não a força das ideias, não a força dos valores, mas a força das armas. É preciso que Portugal e outros países participem nesta transição do sistema internacional, que é a única oportunidade que temos de evitar uma grande catástrofe bélica, que infelizmente continua a ser altamente provável.

发言摘要(大纲)

我的发言将快速且精炼地阐述三个核心方面。

  • 第一,界定国际关系中的“国家利益”: 也就是说,对葡萄牙而言,国家利益究竟是什么?
  • 第二,对过去几十年的国家利益进行批判性审视: 过去几年乃至几十年里,无论是在融入欧盟的过程中,还是在北约内部,形势的演变显然都非常负面。
  • 第三,审视当今世界正在发生的事情: 如今,有哪些重大挑战在威胁着我们的国家利益?我们又该如何预测未来?

我将试图阐明,当前国际体系的转型可能会引发一场大规模冲突。这个国际体系建立在西方(主要是美国)已不再名副其实的霸权之上,并且得到了欧盟盲目地支持。这种模式是不可持续的,使用核武器的大规模毁灭性战争发生的可能性远未消除。

总之,我向各位提出的结论是什么?我的结论是,如果我们想避免在可能将我们引向核战争的境地中“腐烂”下去,葡萄牙必须拥有一项能够摆脱当前束缚的政策。在欧盟内部,摆脱束缚并不意味着决裂,而是意味着独立思考、展开辩论、拒绝盲从、不活在过去。

我们需要采纳一个我捍卫了20多年的概念——“强制性合作”(Cooperação Compulsória)政策。也就是说,面对全球性问题,我们必须与所有捍卫生命、捍卫人类生存的国家开展合作。我们必须与我们的友好国家合作,同时也必须与那些我们不想与之成为敌人的国家合作。这显然涉及战争与和平的问题。我们不希望看到“加速共同毁灭”,但我们也必须思考环境问题。我们不能像现在这样推动“环境层面的共同毁灭”,我们需要在国际合作中建立共同的监管机制。

经济和科技的重心正在转移。 非常奇怪的是,在欧洲和美国,我们竟然没有意识到这一事实的重大意义。我们清楚地看到,金砖国家(BRICS)在全球国内生产总值(GDP)中的主导地位正在巩固,达到 35.43%,而七国集团(G7)仅为 29.64%。但比这更重要的,是科学和技术创新重心的转移。

事实上,正在毁掉欧元区的同一批平庸的领导层,或许最终会让欧洲陷入一片铁血火海之中。苏联政权倒塌的奇迹,不会在俄罗斯身上上演第二版。

在当前的国际背景下,我们究竟身处何处?我们实际上正处于地球的十字路口。我们可以识别出三大全球性威胁。第一种是战争(核战争)的威胁,我借用一个医学隐喻,将其称为**“心脏病发作”**!欧盟曾展示过代表和平与生态的绿色旗帜,如今却换成了战争的军旗,目前本质上只关心军备竞赛。而美国政府的政策则在破坏科学信息,摧毁监测环境和气候危机的科学机制。

最后,我为葡萄牙提出三点具体结论:

  1. 坚持和平与“强制性合作”原则:葡萄牙必须在自身所处的各大权力中心捍卫和平与强制性合作原则。这意味着在欧盟内部我们必须有自己的声音。我们不能重蹈过去某位总理的覆辙——面对国际货币基金组织、欧洲央行和欧盟委员会(三驾马车)完全错误的紧缩政策时,他竟然声称“我们必须超越三驾马车”。而在北约内部,我们绝不能允许我们的领土被用于违反国际法的侵略性战争行动。
  2. 重开历史的“自由之窗”: 借用我亲爱且怀念的朋友阿德里亚诺·莫雷拉(Adriano Moreira)教授的话,葡萄牙必须打开其历史上的所有自由之窗。也就是说,我们必须审视自己的历史,意识到葡萄牙拥有一笔尚未利用的历史资本。它为我们留下了许多连接点,以及与世界上其他国家进行经济和文化深度合作的潜在伙伴关系。
  3. 多极化秩序与中国的关键角色: 为了防止发生新的世界大战,中国正展现出作为一个决定性力量的角色——一个非帝国主义的中国,一个致力于基于共同面对人类生存风险的多极新秩序的推动者。我有信心,在所有关切和平的力量都能发出声音的国际环境下,中国将继续走一条基于相互尊重、互利合作双赢的道路,而不是像美国那样在全球设立800个军事基地,去投放武器的武力,而非思想和价值的力量。葡萄牙和其他国家必须参与到国际体系的这场转型中来,这是我们避免发生重大军事灾难的唯一机会,而极具讽刺意味的是,这种灾难发生的概率目前依然极高。
Viriato Soromenho Marques O Interesse nacional